O BIM para orçamentos de obras é confiável? O que falta?

Artigo de Hélvio Bartels Alves

Os quantitativos extraídos dos modelos BIM são confiáveis, porém não expressam a realidade financeira de construção, que envolve serviços, insumos indiretos, impostos e outros fatores de custo que não podem ser modelados. Todas as tomadas de decisão envolvem o custo do empreendimento.

Os softwares 5D atualmente disponíveis no mercado nacional necessitam de uma grande carga de customizações para serem implementados e o prazo entre o projeto e a construção não permite a lacuna necessária para este serviço.

Existe um padrão de composição de custos nacionalmente adotado, de acesso público, atualizado e mantido pela Caixa Econômica Federal e IBGE chamado SINAPI, que é capaz de precificar, por região do Brasil, muitos dos componentes BIM atualmente utilizados em projetos, provendo valores para materiais, insumos indiretos, serviços, mão de obra e custos adicionais de construção. Este acervo extremamente valioso está disponível e não é adequadamente aproveitado.

Acredito que seria importante a criação de uma ferramenta de consulta, inserida dentro dos componentes BIM, capaz de identificar as equivalências com os itens da tabela SINAPI e devolver o custo unitário (insumos + serviços + encargos) de construção deste componente, por região do país.

O aproveitamento desta informação pode ajudar a produzir cenários de avaliação dos impactos de custo no empreendimento ao escolher determinado material, tecnologia ou engenharia construtiva, ou mesmo a região do país onde será implementado.

Não substitui as equipes de orçamentação de construção, mas traz informação prévia confiável e barata em fases anteriores onde esta equipe de custos ainda não está mobilizada.

Essa ferramenta será de grande valia para os proprietários do empreendimento, as projetistas e as construtoras. Abaixo, algumas possibilidades mais notórias, dentre muitas outras.

Proprietários:

  • Estudo preliminar (sem necessidade de cotação) de viabilidade de construção do empreendimento.
  • Previsão orçamentária ou obtenção de financiamento.
  • Tomadas de decisão ou alterações ainda durante a fase de projeto de engenharia.

Projetistas: 

  • Relatórios parciais sobre noções prévias de custo, antes da conclusão do projeto.
  • Ensaios de material ou engenharia construtiva que será utilizado, por região (Ex: estrutura de aço ou concreto?)
  • Comparação de custo na contratação ou terceirização de mão de obra local ou serviços indiretos.
  • Sugestão de fornecedores de materiais de construção (com custo local) ao proprietário do empreendimento.

Construtoras: 

  • Ensaios e impactos de custo nas substituições de materiais, serviços ou insumos por outros de disponibilidade local.
  • Previsão de desembolso por frente de construção aberta.
  • Decisões de contratação ou terceirização de mão de obra ou serviços localmente disponíveis.
  • Mobilização de equipamentos ou contratação de serviços locais.

Concluindo, os modelos BIM têm ganhado mobilidade, com consultas em APP´s e pela web. A informação de custo em tempo hábil (sem necessidade de mobilizar equipe de cotação) é extremamente importante para tomada de decisões.